O partido do táxi quer um autocarro com lugar para 116
Segunda, 28 Janeiro 2019 20:53    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

cristas jornadas lusa 2Passa pouco das nove horas e meia da manhã e, em Braga, a meteorologia não é simpática: o frio e os chuviscos obrigam os deputados do CDS a entrar em passo de corrida no autocarro que os levará às várias paragens que têm pela frente. O tamanho do veículo não passa despercebido a ninguém e cedo começam as graças sobre o partido cujos deputados cabiam, outrora, num táxi e que quer encher agora um autocarro de dimensões consideráveis. Em tom de brincadeira, o líder parlamentar, Nuno Magalhães, remata a conversa antes de ocupar o seu assento: “Mas este ainda não chega: não tem 116 lugares”.

Há precisamente um ano que o CDS mantém o mesmo discurso com as legislativas de outubro em mente: o partido quer fazer parte de uma maioria de centro-direita no Parlamento - ou seja, de 116 deputados - e, sem esconder a ambição mesmo perante a troça de outros partidos e comentadores, trabalha para ser a primeira escolha dentro do bloco da direita. Esta segunda-feira, no arranque de mais umas jornadas parlamentares que levaram os deputados a vários pontos do distrito de Braga, a estratégia manteve-se bem definida: por um lado, a crítica constante ao Governo, sem perder oportunidade de apontar erros em qualquer que seja o assunto; por outro, o ênfase em espetar bandeiras, elencando todos os temas a que o CDS chegou primeiro… e deixou o resto da oposição (leia-se, na atual composição parlamentar, o PSD) para trás.

A primeira paragem do autocarro - que, como seria de esperar, levava uma boa percentagem dos lugares vazios - acontece na fábrica Lameirinho, do setor têxtil. Por entre conversas descontraídas sobre futebol e outras menos descontraídas sobre sondagens, os deputados circulam pelas instalações, experimentam tecidos, distribuem beijinhos aos funcionários que encontram. No final Cristas faz a primeira ronda de ataque ao Governo, pegando no exemplo desta empresa que atravessou o período de crise e se vê agora confrontada com o “saque fiscal” do Executivo. A falta de aposta nas empresas, argumento que o CDS usou ainda na discussão do último Orçamento do Estado, faz a ponte para um discurso que tem ganhado forma nas últimas semanas: o medo dos ventos que sopram da Europa e que, até segundo António Costa, podem resultar numa “pneumonia” económica. Apesar de poder ser um problema conjuntural, considera Cristas, o Governo não toma as devidas precauções: “Sente-se que não há apoio do Governo para garantir [segurança] contra eventuais choques externos. Há sinais de abrandamento e arrefecimento da economia”, critica.

Antes de, como anuncia, “ir pregar para outra freguesia”, dá mais um sinal de que o CDS está (bem) à frente dos restantes partidos: questionada sobre uma possível recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à presidência da República, Cristas lembra que o partido esteve com o presidente na primeira corrida, em 2016. Por isso, e apesar de ainda faltarem dois anos para as próximas presidenciais, assegura: “Quem apoia à primeira apoia à segunda”.

Da fábrica de Lameirinho, os deputados seguem viagem até ao Hospital de Braga, onde Cristas aproveitará para lançar novas farpas ao Governo. Desta vez, lembra que a parceria público-privada através da qual o hospital é atualmente gerido e terminará, pelo menos temporariamente, no verão. Uma “pura embirração ideológica”, critica Cristas, acusando o Governo de estar amarrado às opções de BE e PCP, com quem Costa tem dito querer aprovar a nova Lei de Bases de Saúde - numa formulação que seguramente afastará mais a gestão privada do que a direita desejaria.

 

CDS, UM PARTIDO LÍDER?

Embora o dia de jornadas já vá longo - entretanto há um almoço e um debate sobre o polémico artigo 13, sobre os direitos de autor na internet, proposto pela Comissão Europeia - a sua abertura só é, oficialmente, feita da parte da tarde, com um discurso de Nuno Magalhães que resume toda a estratégia do partido a entrar em ano de eleições.

O primeiro sinal de que o CDS está “um passo à frente” dos outros partidos - foi o primeiro a apresentar a sua lista para as europeias e já está a escolher os candidatos às legislativas - é, aliás, como começa por dizer, que “estas jornadas são as primeiras deste ano, as primeiras desta sessão legislativa”, as primeiras por um partido que se esforça por “colocar questões nacionais e internacionais na agenda”. Segue-se um rol de críticas ao Governo: por “maquilhar a austeridade” e não proteger as empresas, por “prejudicar os serviços públicos” como no caso do hospital de Braga, mas também pela situação na Segurança - uma área em que o CDS diz “falar claro e duro” - ou os buracos financeiros na Caixa Geral de Depósitos.

A conclusão das críticas é uma, que o CDS reafirma cada vez com mais convicção: “Temos liderado a oposição”. Com o PSD acabado de sair de um choque interno entre Rui Rio e Luís Montenegro, os democratas-cristãos anseiam por se colocarem como a alternativa da direita - exemplo é a reforma da Justiça, que lançaram há um ano, numas jornadas parlamentares em Setúbal, e a que nenhum partido ainda se juntou no Parlamento (o PSD tentou fazer acordos à margem da Assembleia, mas Nuno Magalhães também tem uma resposta reservada para isto: “É através do voto que se decide"). Mesmo que as sondagens, para já, não mostrem adesão dos eleitores ao discurso mais do que ensaiado - e com novos players a ter em conta, como a Aliança de Santana Lopes - o CDS não mostra desânimo: “Nós somos a alternativa e por isso vamos ter muitos votos!”. O primeiro teste do algodão será feito já em maio, quando Nuno Melo, eurodeputado de Braga, liderar a lista do partido às eleições europeias. Até lá, o partido promete não mexer um milímetro a sua estratégia.

 

Fonte: Expresso

 

Deputados CDS

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Assunção Cristas

Círculo Eleitoral Leiria Presidente do CDS-PP

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Nuno Magalhães

Círculo Eleitoral Setúbal Presidente do Grupo Parlamentar Vice-Pres...

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Cecília Meireles

Círculo Eleitoral Porto Vice-Presidente do Grupo Parlamentar Vic...

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Telmo Correia

Círculo Eleitoral Braga Vice-Presidente do Grupo Parlamentar

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Hélder Amaral

Círculo Eleitoral Viseu Vice-Presidente do Grupo Parlamentar

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Teresa Caeiro

Círculo Eleitoral Faro Vice-Presidente da Assembleia da República

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António Carlos Monteiro

Círculo Eleitoral Aveiro Secretário da Mesa da Assembleia da Repúblic...

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Álvaro Castello-Branco

Círculo Eleitoral Porto

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Ana Rita Bessa

Círculo Eleitoral Lisboa

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Filipe Anacoreta Correia

Círculo Eleitoral Lisboa

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Ilda Araújo Novo

Círculo Eleitoral Viana do Castelo

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Isabel Galriça Neto

Círculo Eleitoral Lisboa

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João Gonçalves Pereira

Círculo Eleitoral Lisboa

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João Pinho de Almeida

Círculo Eleitoral Aveiro

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João Rebelo

Círculo Eleitoral Lisboa

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Patrícia Fonseca

Círculo Eleitoral Santarém

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Pedro Mota Soares

Círculo Eleitoral Porto

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Vânia Dias da Silva

Círculo Eleitoral Braga