Deputados do CDS-PP questionam Governo e Autarquia sobre perigo de derrocada na Praia Grande
Quinta, 29 Novembro 2018 11:44    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

praia grandeOs deputados do CDS-PP Álvaro Castello-Branco, Ana Rita Bessa, João Rebelo, Isabel Galriça Neto, Filipe Anacoreta Correia e João Gonçalves Pereira querem explicações sobre o perigo de derrocada na Praia Grande e questionaram o Ministro do Ambiente e Transição Energética e o presidente da Câmara Municipal de Sintra.

Nos requerimentos, os deputados questionam quais são as conclusões da visita ao local de técnicos da Autarquia, acompanhados por elementos da Agência Portuguesa do Ambiente e da Marinha Portuguesa, após o alerta feito pelo Prof. Galopim de Carvalho relativo ao perigo de derrocada nas pegadas de dinossáurios da Praia Grande, querem saber se, a haver intervenção, está será da responsabilidade da APA e, se sim, se será esta intervenção feita com conhecimento e com a colaboração da Autarquia e, ainda, se ministro e autarca consideram que a sinalética existente no local é suficiente para salvaguardar a segurança das pessoas.

O geólogo e professor catedrático jubilado Galopim de Carvalho deixou recentemente no blogue ‘De Rerum Natura’ um «Alerta de derrocada nas pegadas de dinossáurios da Praia Grande (Colares, Sintra)».

Reputado especialista, doutorado em Sedimentologia pela Universidade de Paris e em Geologia pela Universidade de Lisboa, o Prof. Galopim de Carvalho refere ter estado «com um grupo de alunos e respetivos professores, junto das pegadas de dinossáurios da Praia Grande (Colares, Sintra)», e ter estado, «como se costuma dizer, ‘com o coração ao pé da boca’, desejoso de tirar dali, especialmente as crianças. Uma parte da camada de calcário (sobrejacente à que contém as pegadas), com perto de uma dezena de toneladas, ESTÁ PRESTES A RUIR».

Continuando, o especialista refere que «o projeto de reutilização da escada que liga a Praia à estrada de Almoçageme e dá acesso às pegadas (diga-se que muito bem protegida por um sólido corrimão), concebeu, e bem, um pequeno patamar, frente a um dos trilhos, com capacidade para uma dúzia de adultos. Pois é, precisamente, sobre as cabeças de quem ali estiver que irá cair, SUSPEITO QUE A QUALQUER MOMENTO, a dita porção de rocha».

Já há mais de 15 anos, «consciente da vulnerabilidade, face às intempéries, das camadas de calcário, ali empinadas quase à vertical, junto à dita escada», o Prof. Galopim de Carvalho solicitou o parecer de um técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que, «não só confirmou os meus receios, como indicou o tipo de intervenção a fazer, designadamente, a impermeabilização e consolidação do topo das camadas».

No entanto, acrescenta, «desde então as correspondentes autoridades têm conhecimento (mas nada fizeram) desta dramática situação […]», nem quanto ao «[…] risco latente para os utilizadores desta escada e dos que, cá em baixo, frequentam a praia». E também «nada se fez quanto à consolidação da jazida e das camadas de rocha associadas, para além da informação do perigo latente, em dois painéis afixados no topo da escada».

Entretanto, de acordo com uma notícia publicada no jornal Público, técnicos do serviço municipal de Proteção Civil da Câmara Municipal de Sintra (CMS) terão visitado o local após o alerta do Prof. Galopim de Carvalho, e informaram que «não se verificam desprendimentos de inertes na escadaria e não há razões para cortar o acesso, mas considerando tratar-se de uma zona geologicamente instável será efetuada uma avaliação geológica do estratificado com carácter de urgência».

A visita ao local contou, para além de elementos da CMS, com elementos da Agência Portuguesa do Ambiente e da Marinha Portuguesa, «para analisar a estabilidade da vertente e a sua segurança para os utilizadores».

No entanto, «não foi apurado fundamento que determine o encerramento do percurso ou acesso por falta de segurança», referindo-se ainda que «o risco existente está bem identificado na sinalização colocada em cada lado do percurso, ficando assim os utilizadores informados».

E conclui-se que pode vir a ser realizada uma intervenção pontual pela Agência Portuguesa do Ambiente.

 

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