Fact-checking a Assunção Cristas no debate quinzenal com António Costa
Sexta, 11 Janeiro 2019 22:47    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

assuncao cristas debate quinzenal antonio cotrim lusaA líder do CDS escolheu a saúde como tema central da sua intervenção. Afirmou que em 2018 se registaram demissões em massa no Serviço Nacional de Saúde por causa das alegadas promessas nunca cumpridas do Governo. Será que foi assim?

 

Esta manhã a saúde esteve, como frequentemente sucede em debates quinzenais entre Governo e oposição, em grande destaque, muito por "culpa" da líder do CDS, Assunção Cristas, que trouxe o tema para a discussão, fazendo fortíssimas críticas a António Costa. Segundo Cristas, o primeiro-ministro "desvaloriza olimpicamente o que se passa à sua volta". E argumentou com o facto de em 2018 se ter verificado "uma vaga inédita de demissões no Serviço Nacional de Saúde", dando alguns exemplos para fundamentar a sua opinião.

O Polígrafo verificou a intervenção de Cristas no que respeita às demissões nos hospitais públicos - motivadas, segundo Cristas, pela resistência do Executivo em cumprir as promessas que fez a profissionais de saúde e administrações hospitalares - e concluiu que a líder centrista foi fiel aos factos. Vejamos, hospital a hospital:

  • HOSPITAL TONDELA-VISEU

No dia 22 de Maio, 33 diretores e coordenadores de serviço daquela unidade de saúde demitiram-se de funções. Na carta em que justificam a decisão, denunciaram “a degradação progressiva de vários serviços”, que consideravam que “terá uma repercussão irreparável no tratamento e orientação de muitos doentes” que diariamente recorrem ao centro hospitalar, na “contínua ausência de uma política,regras ou orientação, que não seja o desesperado desinvestimento cego e desordenado, a todos os níveis, tecnológico e humano".

  • CENTRO HOSPITALAR DE LISBOA CENTRAL

Em 6 de Julho, os chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral daquele Centro Hospitalar apresentaram a demissão por considerarem que as condições da urgência não tinham níveis de segurança aceitáveis.

Na carta de demissão entregue à administração, sublinharam a “consecutiva degradação da assistência médica prestada no serviço de urgência do Hospital São José”, considerando ainda que se chegou a uma “situação de emergência” que impunha “um plano de catástrofe”. Mais: que “a política de recursos humanos, ou a sua ausência, não procedendo à contratação de médicos mais jovens que rejuvenesçam as equipas, cada vez mais envelhecidas, e compensem as saídas que, pelos mais diversos motivos, se têm verificado, tem levado a uma delapidação progressiva dos médicos que as integram”

 
  • MATERNIDADE ALFREDO DA COSTA

No dia 11 de Julho foi a vez dos chefes de equipa de ginecologia e obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, apresentarem a sua demissão à administração. Os profissionais queixavam-se da falta de recursos humanos e de “exaustão”.

  • HOSPITAL AMADORA-SINTRA

Passado cerca de um mês sobre a crise na Maternidade Alfredo da Costa, também os chefes de equipa do serviço de urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital Amadora-Sintra concretizaram os pedidos de demissão que tinham apresentado. "Uma vez que o Conselho de Administração e o Governo não responderam a qualquer das questões que os médicos colocaram - nomeadamente a contratação de especialistas para o serviço e a reorganização do serviço de urgência - e por considerarmos que a contratação de empresas de prestação de serviços pode mitigar o problema pontualmente, mas não tem nenhuma [consequência] estrutural, não há nenhuma razão para que os médicos não mantenham a demissão", disse então à Agência Lusa o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha.

  • HOSPITAL DE GAIA

Condições indignas, enfermarias com buracos no chão e humidade nas paredes, falta de meios, de recursos humanos, atrasos nos tratamentos (nomeadamente os oncológicos), doentes de risco em lista de espera há mais de 6 meses; enfermarias com mais de 30 camas e uma única casa de banho. Estes foram alguns dos motivos apresentados para o pedido de demissão, no dia 5 de setembro, do diretor clínico e dos diretores e chefes de serviço do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Entre os demissionários, que representavam 95% dos corpos dirigentes do hospital, estavam o diretor clínico e vários outros médicos com funções de chefia, como diretores de serviço e de departamento, bem como o responsável pela urgência. Ao todo foram 52 demissões.

  • CENTRO HOSPITALAR DO BAIXO VOUGA

Mais um mês e nova crise, dessa vez com a demissão da diretora do Serviço de Urgência do Centro Hospitalar do Baixo Vouga apresentou, em 7 de setembro, a demissão, ao fim de seis anos no cargo. Num e-mail enviado aos profissionais da unidade de saúde, Elsa Rocha, escreveu que a sua decisão “tem de fazer o conselho de administração refletir que tem de olhar para a urgência como um serviço prioritário”, esperando “ideias e soluções” que já não tem para apresentar no exercício de funções. Na sequência do seu afastamento, outros 40 médicos também comunicaram o seu afastamento de funções.

  • HOSPITAL DA GUARDA

Dezanove dias depois da “rebelião” no Baixo Vouga, três diretores de serviço do Hospital da Guarda apresentaram a demissão. A alegada inércia da administração e os atrasos no concurso de cirurgia estiveram na origem do descontentamento.

  • HOSPITAL DONA ESTEFANIA

No dia 12 de dezembro, os chefes de equipa de urgência do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, apresentaram a sua demissão à administração, considerando que houve "quebra do compromisso" feito pela instituição de contratar mais médicos. A situação era, afirmaram então, “insustentável”.

  • HOSPITAL DE SÃO JOAO

A administração do maior hospital do Porto, entregou esta semana um pedido de renúncia à tutela. Motivo invocado: "O mandato do Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar Universitário de São João terminou a 31 de dezembro de 2018. Em consequência o CA apresentou a renúncia de modo a facilitar a sua substituição da forma mais rápida possível". Apesar de os demissionários terem feito questão de sublinhar que o seu afastamento não foi motivado por outros motivos que não estes, há muito que a falta de recursos humanos e técnicos e a degradação das condições de trabalho era motivo de tensão entre os profissionais do hospital e a administração – e entre esta e a tutela.

 

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