Assunção Cristas em entrevista: “O PSD analisará se está do lado dos que acham que o país está mal”
Sábado, 16 Fevereiro 2019 11:23    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

assuncao cristas expresso 2Na véspera das convenções do PS e do PSD, Assunção Cristas avança para a sua segunda moção de censura. Quer ir já para eleições e aponta ao Governo mas também à esquerda e a Rui Rio: “O PSD tem obviamente de fazer a sua análise e perceber se está do lado daqueles que acham que o país está mal e o Governo está a falhar, ou se tem alguma outra leitura”, diz ao Expresso. A líder do CDS está consciente de que a moção não passará, mas isso serve-lhe para aumentar o arsenal de munições políticas contra a esquerda e, quem sabe, contra o PSD.

 

Que sentido faz apresentar uma moção de censura um ano e meio depois da última [apresentada em outubro de 2017], sabendo da improbabilidade de passar?

Um ano e meio é muito tempo em política. Neste ano e meio, tudo o que podemos ver à nossa volta piorou. Neste momento, temos greves preanunciadas como não existiam há muitos anos, nem no tempo da troika, e certamente não na reta final do Governo anterior. O que vemos é um Governo que prometeu trazer a paz social, mas todos os dias cria novos problemas em vez de resolver os que já existem.

Isso parece um discurso do PCP.

É um discurso de oposição. O problema é que o PCP apoia o Governo mas parece que está na oposição.

Mas não apresenta esta moção por causa da convulsão social.

Apresentamos a moção por várias razões. Porque temos um Governo esgotado, perdido, com uma deriva à esquerda em áreas críticas; porque demonstra profunda incompetência em áreas muito importantes da governação, nomeadamente na Saúde. Basta ver que com a mudança de ministro nesta pasta tudo piorou, porque a incapacidade e incompetência da ministra é imensa. Mas nesta área, como noutras, já temos dito que o problema não é dos ministros, porque só há dois ministros neste Governo: Mário Centeno, ministro da austeridade, e o primeiro-ministro, ministro da propaganda. Vemos um Governo com viragens muito perigosas à esquerda: na questão da ADSE e da Lei de Bases da Saúde, em vez de se preocupar com a qualidade dos serviços de saúde está preocupado em saber como é que a parte pública prevalece sobre todas as outras. Tem uma ignorância e um desprezo por aquilo que é o atual sistema, com uma fortíssima componente do sector social e dos privados. Aí, é um Governo amarrado pelo pecado original do nascimento deste Governo, o apoio do PCP e do BE. Isto é perigoso porque afeta os utentes da ADSE, mas também vai afetar diretamente todos os portugueses. Vai haver uma sobrecarga do SNS: e o que está a ser preparado é o esvaziamento e a morte da ADSE.

A apresentação desta moção não é puramente tática?

Não, pelo contrário. Este Governo tem feito muito mal ao país e continua a fazer. Se ele puder acabar antes, seria muito positivo.

Seis meses fazem a diferença? O que muda para o país?

Seis meses de má governação, como podemos ver pelo caso da ADSE, trazem consequências nefastas que podem perdurar no tempo.

Começou por falar da rutura social. O que é que o CDS faria em relação a professores e enfermeiros? Atenderia as suas reivindicações?

Teríamos capacidade para conversar e negociar, que é, aliás, outro ponto negativo deste Governo: a rutura com os vários sectores.

Mas o CDS não contaria o tempo de serviço todo aos professores...

Com certeza que negociaríamos, e aprovámos neste OE uma norma que falava em vários pontos para a negociação: nas carreiras, com certeza; na avaliação dos professores; na aposentação... Teríamos um ponto de partida muito diferente. Recordo-lhe como é que começou este primeiro-ministro: dizendo que a austeridade acabou, que seria tudo um eldorado. Agora está obviamente a colher as tempestades dos ventos que andou a semear.

O CDS apoiaria um salário de entrada na profissão de mais 400 euros, como reivindicam os enfermeiros?

Teríamos, na Saúde, feito as coisas de forma muito diferente. Não teríamos reposto as 35 horas. O Governo automaticamente criou um buraco no SNS que não foi capaz de resolver.

Mas estas reivindicações são muito concretas e o Governo diz que não há dinheiro.

Muito do que estes grupos profissionais estão a exigir tem que ver com as expectativas que foram criadas por este mesmo Governo. Temos de pôr o contador a zeros e dizer: como é que seria se o CDS tivesse continuado a governar em 2015? Aí sim, podemos conversar.

O Governo dirá, na área da Saúde, que teve de fazer um grande esforço para recuperar do desinvestimento do Governo anterior.

O Governo anterior recebeu um país falido. Apesar de tudo, conseguiu prestar melhores serviços do que este. Isto está pior do que no tempo da troika. No anterior Governo faltou dinheiro para investimentos, que não foram feitos, mas a verdade é que este Governo podia ter tomado outras opções. Naquela altura não havia falhas no que é o dia a dia dos hospitais, nem notícias a dizer que não havia lençóis para as camas. As escolhas são as escolhas legítimas de cada Governo. O que nós entendemos é que este Governo fez escolhas erradas e não está a saber lidar com as consequências.

Falou com o PSD, ou vai falar, antes de apresentar esta moção?

Não.

O que espera do PSD?

O PSD tem obviamente de fazer a sua análise e perceber se está do lado daqueles que acham que o país está mal e o Governo está a falhar — e portanto aprovar a moção de censura proposta pelo CDS — ou se tem outra leitura. Temos muito clara a nossa posição: somos oposição, achamos que é importante que este Governo seja censurado, que é diferente ter eleições agora ou em outubro. Como este Governo, a cada dia que passa, faz pior ao país, é bom que possa haver uma clarificação da situação política. É bom que os partidos de esquerda, que apoiam o Governo mas também gostam de fazer oposição, digam agora se continuam a apoiar. E também é bom que o PSD possa tomar a sua posição.

Isto não é uma forma de o CDS dizer: “Eu sou mais oposição do que tu?”

Não. É uma forma de o CDS dizer que é uma oposição firme, acutilante e construtiva.

Mas quando diz que é a líder de facto da oposição, é isso que está a dizer, não é? Está a falar para o PSD.

Desculpem a imodéstia, mas acho que isso é factual.

Se Rio se abstiver ou votar contra, vai dar-lhe um discurso de posicionamento como oposição.

O CDS tem um adversário claríssimo: António Costa, o socialismo e as esquerdas unidas. Como oposição, temos o direito — e o dever — de usar todos os instrumentos que temos ao nosso dispor para vincar a nossa posição. A moção é a ferramenta mais intensa e é para ser utilizada, e utilizámo-la por duas vezes. Uma, num momento muito crítico para o país, por causa dos incêndios. Outra, neste momento muito crítico em que quatro anos foram perdidos: este Governo está esgotado, e achamos que deve haver uma clarificação no Parlamento. E se houver no país, melhor.

Isto não é campanha eleitoral?

Não. É fechar um ciclo. Se porventura a moção de censura vier a ser aprovada, estamos a dar um bom contributo para o país, que é poder ter eleições mais cedo e passar rapidamente para um outro ciclo legislativo. Ao longo de quatro anos, vimos uma conjuntura económica muito favorável externamente, e vimos o Governo desperdiçá-la. As coisas já não estão como estavam no início da legislatura. Também por isso é bom que haja uma clarificação e uma mudança de ciclo.

Mas se o Governo caísse agora contava com o PSD?

Se o Governo cair agora, como acontecerá em outubro, vamos todos para eleições e continuo a dizer o que sempre disse: é importante que os partidos de centro-direita consigam alcançar, no seu conjunto, 116 deputados e nós vamos trabalhar para ser a primeira escolha. A nossa vontade é construir uma alternativa de governação de direita em Portugal. O CDS garante que não vai apoiar António Costa, nem para o libertar das esquerdas. Com aqueles que se revirem neste posicionamento, se a seguir às eleições aparecer um conjunto de 116 deputados distribuídos por dois partidos ou mais, quero crer que haverá possibilidades de se conversar.

Tem a certeza?

Quem não acha isto tem de o dizer. Todos os partidos que estão na oposição, não de esquerda mas de centro-direita, querem uma alternativa. Resta saber se têm outros planos alternativos. O CDS só tem um plano: é este. Estamos como alternativa a António Costa ou na oposição a António Costa.

Tem alguma esperança de PCP ou BE votarem a favor da moção?

Tenho alguma curiosidade de saber como votam os dois partidos que apoiam o Governo, mas que já não têm um Orçamento para aprovar — e isso é novo — e que todos os dias fazem oposição ao PS, quase de forma contraditória e às vezes muito desconcertante. Têm agora uma oportunidade de clarificar a sua posição.

Mas podem ter assim um problema, que é o futuro pós-eleições. Não vão derrubar um Governo para depois o poderem voltar a apoiar.

Esse é um problema deles. Podem sempre propor uma moção alternativa, se não concordarem exatamente com os termos da do CDS [risos]. O Governo de que fiz parte teve várias, todas alternativas. Estão sempre à vontade! Se não gostarem dos nossos termos, podem arranjar outros próprios. Mas também é um momento de clarificação para esses dois partidos.

 

Fonte: Expresso

 

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