Hélder Amaral preocupado com risco elevado de escassez de água no distrito de Viseu
Quarta, 14 Agosto 2019 11:14    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

escassez de aguaO deputado do CDS-PP Hélder Amaral questionou o Ministro do Ambiente e da Transição Energética sobre o risco de escassez de água no interior do país e, nomeadamente, no distrito de Viseu.

Hélder Amaral recorreu a um quadro enviado pelo Governo ao Grupo Parlamentar do CDS-PP, em resposta a uma pergunta sua feita em julho de 2018 a propósito do cancelamento de novas barragens no interior, para pedir ao Ministro do Ambiente e da Transição Energética um balanço dos cenários já concretizados, entre os então apresentados como solução para o distrito de Viseu.

Assim, Hélder Amaral questiona, face ao quadro remetido ao CDS-PP pelo Gabinete do Ministro em julho de 2018, quais são os cenários que foram concretizados e quais os que não foram e porquê.

O deputado do CDS-PP quer saber que medidas está o Ministério a tomar com vista a minimizar, a médio e longo prazo, os efeitos da cada vez mais acentuada escassez de água no interior do país e quais dessas medidas incluem o distrito de Viseu.

Numa última questão, Hélder Amaral quer saber se, tendo em conta todas estas previsões e alertas, vai o Governo rever, ou não, a sua decisão de não construção de uma nova barragem, nomeadamente no Vouga.

Foi recentemente divulgado o resultado de um estudo do projeto Aqueduto do World Resources Institute – uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington, nos EUA, e financiada por fundações, Governos, ONG e organismos internacionais.

De acordo com o estudo, Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água.

Os autores alertam que «a escassez de água coloca sérias ameaças à vida humana, à sua subsistência e à estabilidade económica. Isso está prestes a piorar, a menos que os países tomem medidas: o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização estão a provocar uma maior procura por água, enquanto as alterações climáticas podem tornar mais variável a precipitação e a procura».

Trata-se, no entender do CDS-PP, de um alerta que merece ser levado a sério, principalmente no distrito de Viseu. Dando este cenário como fiável, as regiões do interior de Portugal serão as mais prejudicadas com a escassez de água.

Em setembro de 2017, a Câmara Municipal de Viseu aprovou a celebração de um acordo entre vários municípios – Viseu, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo, Sátão, São Pedro do Sul, Vila Nova de Paiva e Vouzela –, com o objetivo de constituir uma empresa intermunicipal de abastecimento de água e saneamento na região, como resposta à escassez de água e aos riscos de seca.

O acordo pretendia concretizar investimentos estruturantes, entre os quais o reforço da capacidade da barragem de Fagilde e a construção futura de uma barragem no Vouga.

O interior do país é carente de investimento, e o CDS-PP entende que só com esse mesmo investimento é possível criar a riqueza necessária à fixação das pessoas, em particular dos mais jovens. Mas sem água não se fixam populações.

Fustigada pelas chamas nos últimos grandes incêndios nos últimos dois anos, a região de Viseu debateu-se de seguida com uma situação de seca extrema. Recorde-se que a Barragem de Fagilde, que abastece os concelhos de Viseu, Mangualde, Penalva do Castelo e Nelas, chegou a estar com cerca de 8% da sua capacidade.

As alterações climatéricas estão já a afetar a atividade agroindustrial, fundamental para a economia do interior, e o CDS-PP entende que já não chegam medidas paliativas, sendo absolutamente urgente reabilitar e requalificar as infraestruturas hídricas na agricultura, com mais e melhor regadio.

O deputado abaixo-assinado fez já, por mais do que uma vez, perguntas escritas ao Governo sobre a necessidade de melhorar a capacidade de captação, armazenamento e distribuição mais eficiente, seguramente com mais barragens, no interior do país. Algumas dessas perguntas não tiveram qualquer resposta por parte da tutela.

Numa delas, no entanto, de julho de 2018, a propósito do cancelamento de novas barragens no interior, o Gabinete do Senhor Ministro do Ambiente respondeu que em 2017, na sequência das intervenções realizadas para garantir o abastecimento aos concelhos de Viseu, Nelas, Penalva do Castelo e Mangualde, foram desenvolvidos estudos pelo grupo Águas de Portugal, em que foram avaliados e definidos vários cenários, tendo-se concluído que a construção de uma nova barragem era a mais dispendiosa e a menos eficiente em termos de gestão dos recursos hídricos.

De acordo com o quadro em anexo, os cenários incluíam, entre outros, a reabilitação estrutural da barragem de Fagilde, a remodelação da ETA de Fagilde com recirculação da água de filtração e ampliação da cisterna de água tratada, a reutilização de águas residuais da ETAR Viseu Sul para rega em Viseu, extensão da reutilização a indústrias de Nelas, adução de água de outros sistemas e aumento da capacidade de reserva, nomeadamente através de uma nova barragem a jusante da Albufeira de Fagilde.

 

quadro de cenarios do MA

Actualizado em ( Quarta, 14 Agosto 2019 11:17 )
 

Deputados CDS

News image

Cecília Meireles

Círculo Eleitoral Porto Presidente do Grupo Parlamentar

News image

Ana Rita Bessa

Círculo Eleitoral Lisboa

News image

Assunção Cristas

Círculo Eleitoral Lisboa Presidente do CDS-PP

News image

João Pinho de Almeida

Círculo Eleitoral Aveiro

News image

Telmo Correia

Círculo Eleitoral Braga