OE2021: CDS considera que este “não é o orçamento de que o país precisa”
Terça, 13 Outubro 2020 11:56    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

cecilia conf imprensa oe2018O CDS criticou hoje a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano (OE2021), considerando que não é a que “o país precisa” para recuperar, e salientou que “o caminho” do partido “é em tudo divergente”.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, a deputada Cecília Meireles afirmou que “este não é o orçamento de que o país precisa”, nomeadamente “para ter verdadeira recuperação económica”.

“A visão estratégica que este orçamento apresenta de recuperação económica resume-se a três palavras: gastar dinheiro público”, criticou a centrista, lamentando que “não há nenhuma estratégia, há uma grande desconfiança em relação à iniciativa privada, aos trabalhadores por conta própria”.

De acordo com a deputada do CDS, não existe “uma única medida com relevo desenhada para trabalhadores por conta própria, que continuam a lutar para sobreviver, para empresas que continuam a lutar para sobreviver”.

“Há muito pouco nesta matéria”, sublinhou Cecília Meireles.

Para o CDS, este orçamento "é bastante de esquerda, que acha que discutir crescimento ou despesa pública é exatamente a mesma coisa".

A deputada advogou que “também não é orçamento que as pessoas precisam no que toca ao alívio fiscal”, apontando que, “se o que o Governo quer é injetar dinheiro na economia, então era importante que começasse por não o tirar às pessoas e às famílias”.

Na sua opinião, “era relevante e vital que houvesse um alívio no IRS”, mas "o que há é uma mexida nas tabelas de retenção na fonte”, notou Cecília Meireles.

"Se compararmos o valor das mexidas na retenção na fonte, que são 200 milhões de euros, com mais do dobro está previsto para a TAP para o ano que vem, mais seis vezes mais que já foi posto na TAP neste ano, percebemos bem o que o é que o Governo acha deste necessidade de alívio fiscal e o que é que está disponível, não é a dar às pessoas, é a não tirar às pessoas", sublinhou.

A deputada centrista criticou ainda que, no OE20201, o Governo prefira "continuar a apostar num preconceito contra o setor privado e numa divisão artificial e absurda entre setor público, privado e social em pontos fundamentais, como é o caso da saúde", e voltou a apelar a que o Estado contratualize com estes setores para diminuir as listas de espera para consultas e cirurgias.

"Por causa de um preconceito que os seus parceiros exigem, isto vai continuar a não acontecer. É uma pena que nesta matéria o preconceito ideológico esteja à frente da vida das pessoas", censurou.

Questionada sobre o sentido de voto do CDS quando à proposta de OE2021 entregue no parlamento na segunda-feira à noite pelo ministro das Finanças, Cecília Meireles salientou que “é óbvio que o caminho do CDS é em tudo divergente do caminho deste orçamento”.

“Mas hoje à tarde haverá uma conferência de imprensa do presidente do CDS e eu penso que pode repetir essa pergunta, embora me pareça que será óbvia a resposta”, acrescentou, deixando subentendido que os centristas votarão contra.

A proposta de orçamento para 2021 será votada na generalidade em 28 de outubro, estando a votação final global do documento marcada para 26 de novembro.

A proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2021 prevê uma recessão de 8,5% este ano e um crescimento da economia de 5,4% no próximo.

No documento, o Governo estima que a economia volte a crescer 3,4% em 2022, “ano em que se alcança um nível de PIB equivalente ao registado no período pré-crise pandémica”.

Segundo a proposta de Orçamento, também será em 2022 que Portugal voltará a cumprir as regras impostas por Bruxelas relativas ao défice orçamental, que deverá atingir 7,3% do PIB em 2020, 4,3% em 2021 e 2,8% em 2022.

O Governo estima que o rácio da dívida pública registe uma melhoria em 2021, passando a representar 130,9% do PIB, depois de atingir os 134,8% em 2020.

Quanto ao desemprego, este ano deverá subir até uma taxa de 8,7%, descendo em 2021 para os 8,2%.

 

Deputados CDS

News image

Telmo Correia

Círculo Eleitoral Braga Presidente do Grupo Parlamentar  

News image

Ana Rita Bessa

Círculo Eleitoral Lisboa

News image

Cecília Meireles

Círculo Eleitoral Porto  

News image

João Gonçalves Pereira

Círculo Eleitoral Lisboa

News image

João Pinho de Almeida

Círculo Eleitoral Aveiro