As 10 perguntas fundamentais sobre a vacinação COVID-19
Quinta, 03 Dezembro 2020 16:27    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

ana rita bessa arNas vacinas contra a COVID-19 estão concentradas as esperanças do Mundo – a esperança de recuperar a saúde como bem fundamental; a esperança de recuperar a economia como atividade vital. A esperança de voltar ao normal.

É por isso crítico que a operação de vacinação seja bem-sucedida; que no dia em que as vacinas chegarem a Portugal, tudo esteja meticulosamente preparado, cuidadosamente antecipado, devidamente acompanhado.

Nos EUA, a operação foi entregue, em junho, a um general perito em logística e o plano, apresentado em outubro, está agora a ser ensaiado e testado no terreno. A vacinação começará em dezembro.

Na Alemanha foi constituída uma equipa para programar a vacinação em 17 de abril e o plano foi tornado publico a 6 de novembro. Conhecem-se as diferentes fases e as responsabilidades estão atribuídas.

No Reino Unido a equipa foi nomeada em maio e a primeira versão do plano apresentada em 25 de setembro. A vacinação começará para a semana.

Em Portugal, só no dia 4 de novembro foi criada a “Comissão técnica de vacinação contra a Covid-19”, grupo consultivo da DGS, para recomendar estratégias e grupos alvo – o que desde logo correu mal.

Mas no dia 23 de novembro foi criada uma outra “task force” para, em 30 dias, elaborar um “Plano de vacinação contra a COVID-19”. Chefiada pelo Dr. Francisco Ramos, esta task force está, para todas as decisões, subordinada às lideranças da DGS, Infarmed, INSA, ACSS, SPMS.

Ou seja, quando precisávamos de uma estrutura focada, de uma liderança clara, de um processo testado e de uma confiança fundada na preparação demonstrada, temos um emaranhado de decisores, uma complexidade entrópica, um atraso condicionante e muito, muito pouco tempo para provar que seremos capazes.

Este não é o momento das narrativas que querem esconder a impreparação. Dizer que o “Plano de vacinação está a ser preparado há meses em Portugal”, como afirmou Graça Freitas, ou que “Há zero risco de Portugal não estar pronto para vacinar a população”, como disse a Ministra, é não só temerário como frontalmente incorreto.

Mas, no respeito pelos portugueses e pela gravidade da situação, este ainda não é o momento de apurar responsabilidades; este é o momento de exigir responsabilidade.

E enquanto o Primeiro Ministro insiste que “não vale a pena antecipar ansiedades”, lamentamos que não tenha estado a antecipar dificuldades. A preparar o país.

Porque, para que nada falhe, é das dificuldades e dos desafios que nos devemos ocupar. E por isso, o CDS tem 10 perguntas:

1- Quando se iniciará a vacinação? Porque uma coisa é a chegada das vacinas e outra é a sua aplicação. Nos EUA, a diferença entre as duas são 24 horas;

2- Tendo em conta as exigências de frio, em que instalações (e de quem), serão armazenadas as vacinas?

3- Como será feita a distribuição e o transporte? Que locais de administração estão já mapeados e verificados?

4- Já foram compradas e já estão em Portugal as seringas, agulhas, solventes e EPIS para esta aplicação? Fala-se em 22 milhões doses, tem que estar pronta a contraparte em material.

5- Estão identificadas e em treino as pessoas que irão aplicar a vacina? Foi previsto o funcionamento em espelho e salvaguardado o desguarnecimento das unidades de saúde?

6- Quais os grupos alvo em cada fase, qual a sua dimensão e como será feito o agendamento da vacinação de cada pessoa desses grupos?

7- Haverá um modelo de monitorização intensiva e de acompanhamento clínico?

8- Será feita (e quando) uma campanha de sensibilização sobre a segurança e eficácia da vacinação?

9- Sendo a vacina facultativa, quantas pessoas terão que ser vacinadas para atingir imunidade de grupo? E como vai ser monitorizada essa imunidade?

10- Está prevista uma operação de segurança para transporte e aplicação da vacina? Qual vai ser o papel das forças armadas?

Conhecemos hoje o plano de vacinação e esperamos que dê respostas cabais a todas estas perguntas, até porque a expectativa é que uma vacina seja entregue já em janeiro.

Ninguém acha que pandemia é a responsabilidade de um governo, compreendemos que há consequências inevitáveis, mesmo que contestemos algumas decisões, e temos, os portugueses, suportado o peso do que nos é pedido.

Neste momento está entregue nas mãos do governo português a melhor hipótese que temos de voltar à normalidade – uma vacina. Repito, está nas mãos do Governo.

E que fique claro: todos nós desejamos que corra bem, mas nenhum português perdoará o Governo se correr mal.

Actualizado em ( Sexta, 04 Dezembro 2020 10:32 )
 

Deputados CDS

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Telmo Correia

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Pedro Morais Soares

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