É como se existissem dois países o socialista e o outro - todos nós!
Quinta, 11 Março 2021 16:18    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

telmo correia pulpito copySenhor Presidente,

Senhores membros do Governo

Senhoras e senhores Deputados,

 

Debatemos e votamos hoje o 13.º Decreto do Estado de Emergência.

Fazemo-lo num momento em que, depois de Portugal ter sido recordista em número de contágios e em número de mortes por milhão de habitantes, a situação é francamente mais positiva.

Mas se hoje é mais positiva, não devem existir dúvidas de que isso se deve à aplicação de medidas de confinamento geral, que o Governo depois de muita hesitação e de falta de preparação acabou por ter de adotar.

Se Portugal esteve na situação dramática que vivemos em janeiro e em fevereiro, foi porque subestimámos a 3.ª vaga, faltou informação e rigor no período do Natal e se hesitou, muito, na adoção de medidas.

Agora, o essencial é precisamente não repetir esses erros, não permitir que por incompetência se volte a repetir o desastre que vivemos.

Se o Estado de Emergência foi a decisão certa e que só por negacionismo ou demagogia se pode defender a sua desnecessidade, é muito importante não repetir erros.

Não repetir na Páscoa os erros que foram cometidos no período do Natal e no início do ano. Não repetir o relaxamento.

Não continuar a agir por “fezada” e na base do improviso, mas, pelo contrário, o Governo ser capaz de planear de forma a que os portugueses entendam as fases desse planeamento e o que acontecerá em cada momento.

Esta discussão e o seu modelo são desde já um mau exemplo. Ao fim de vários dias em que o tema tem sido o desconfinamento, debatemos aqui sem que o Governo tenha apresentado, e já o devia ter feito, o que vai fazer e o que vai acontecer.

A comunicação social vai com uma dica aqui e outra ali procurando adivinhar, ou especular, sobre decisões que, mais uma vez, serão tomadas à última hora, ficando a ideia de que o Governo, como sempre, trabalha em cima do joelho.

E que, neste caso, nem em Belém se saberá exatamente o quê.

As famílias e o país precisam de um plano mais estruturado e organizado.  Precisavam de previsibilidade.

Os portugueses já demonstraram que são no geral cumpridores, desde que percebam a razão e o objetivo das medidas.

A culpa não foi dos portugueses, mas sim de sinais errados e contraditórios e da falta de planeamento. Mas se defendemos um plano de abertura calendarizado, isto não é incompatível com a prudência, que sempre defendemos.

Se regressarmos ao facilitismo, podemos estar a comprometer uma retoma mais sustentada da economia e dos sectores mais sacrificados, como o turismo e a restauração em particular, para quem a Primavera e o Verão são períodos decisivos.

Uma abertura segura e controlada implica também níveis de rastreio e de testagem. Não é compreensível que, nesta fase, os níveis de testagem tenham diminuído. E a capacidade de rastreio esteja muito longe do desejável.

Sobre os testes é de assinalar que o Governo tenha recuado e desistido de limitar a testagem nas escolas públicas, mais uma vez discriminando negativamente os alunos e as famílias do ensino particular e cooperativo. Era de facto demais, depois de os ter proibido de ensinar porque falhou a preparação do ensino à distância.

Mas é, lamentavelmente, a visão do socialismo dominante.

É como se existissem dois países.

O do Estado - que é o que conta - e o outro, o dos privados que é para ser ostracizado e discriminado.

Vimos isso na saúde com a recusa de contratualizar, não aproveitando a capacidade global do sistema. Ou melhor, só o fazendo contra vontade quando a situação era completamente desesperada.

Dois países.

Na educação, ao hostilizarem deliberadamente o ensino privado e as famílias que optaram por um modelo diverso, exercendo a sua liberdade e, muitas vezes, fazendo um sacrifício para isso.

É como se o Governo se orientasse por aquele conceito de “uma burguesia em teletrabalho”, que é preciso combater e tributar ainda mais. No fim, só existiriam pobres, dependentes e gratos ao assistencialismo socialista.

O Plano de Recuperação e Resiliência é mais disto e mais do mesmo. Aposta no público e no Estado, ignorando o setor privado.

Dois países.

O dos socialistas e o outro, todos nós.

O problema é que quem produz riqueza, quem pode levar o país a uma recuperação e a uma normalidade são os outros, as empresas, os exportadores, os empresários, os comerciantes. Estes são os que produzem a riqueza.

De resto, o PRR tem desde logo o defeito de não ter suficientemente em consideração o descontrolo e os efeitos da 3.ª vaga, com este encerramento e paragem prolongada (foi feito em junho).

Não contente com isto o Primeiro-ministro veio dizer-nos “esta crise foi o falhanço das visões neoliberais”. Leia-se, nós os socialistas é que governamos bem.

Isto dito pelo Primeiro-ministro de um país que foi durante várias semanas o pior do mundo. Na verdade, os países com governos não socialistas, não só não fizeram pior como em geral fizeram melhor. Foi o caso da Alemanha, do Reino Unido ou da Grécia, um país que, tal como nós, passou por tantas dificuldades.

Menos retórica ideológica, menos demagogia e mais competência não seria pedir demais.

E, sobretudo, menos hesitações. É tempo de seguir uma linha de prudência consistente, mas não esquecer que essa linha obriga a um reforço sério dos apoios às empresas, de apoios a fundo perdido e que o dinheiro chegue à economia, para quando os negócios retomarem ainda o poderem fazer.

Queremos evitar uma 4.ª vaga com a consciência plena de que a questão da economia e das empresas tem de ser a preocupação e o tema central neste tempo e nestes meses que se avizinham.

 

Deputados CDS

News image

Telmo Correia

Círculo Eleitoral Braga Presidente do Grupo Parlamentar  

News image

Ana Rita Bessa

Círculo Eleitoral Lisboa

News image

Cecília Meireles

Círculo Eleitoral Porto  

News image

João Pinho de Almeida

Círculo Eleitoral Aveiro

News image

Pedro Morais Soares

Círculo Eleitoral Lisboa