Tancos. CDS pergunta se "hierarquia militar esconde informação ao Governo"
Quarta, 12 Setembro 2018 19:44    Versão para impressão

joao rebelo ishO CDS questionou esta quarta-feira o ministro da Defesa, no Parlamento, se ele e o chefe do Governo mentiram sobre o furto de material de Tancos ou se o Exército e ou a PJ Militar lhes mentiram.

"Continuamos sem perceber se é o Governo que não sabe - e devia saber - porque a hierarquia militar não sabe o que se passou efetivamente em Tancos ou se o Governo não sabe - e devia saber - porque a hierarquia militar esconde informação ao Governo sobre o que se passou efetivamente em Tancos", afirmou o deputado João Rebelo (CDS).

Azeredo Lopes, que está a ser ouvido na Comissão parlamentar de Defesa sobre o caso de Tancos (ocorrido a 28 de junho de 2017) a pedido do CDS, rejeitou as críticas e manifestou "estupefação com a invocação permanente de contradições e falta de transparência" da sua parte por parte dos partidos de direita sobre a matéria, ao ponto de atingirem a imagem das Forças Armadas e chefias militares.

Em causa, para a oposição de direita, está a alegada contradição entre as afirmações dos governantes de que todo o material tinha sido recuperado (em outubro) e a revelação, pelo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte, de que afinal tinha aparecido uma caixa de petardos não listada como desaparecida.

A posição do Ministério Público, constante de um acórdão da Relação e noticiada pelo Expresso, de que ainda havia material por recuperar e que isso representava um risco para a segurança nacional, é o outro argumento na base das reservas colocadas pelo CDS e PSD.

Azeredo Lopes, ao rejeitar o modelo de oposição de PSD e CDS sobre um setor que não costumava ser objeto de divergências políticas e partidárias públicas, remeteu os deputados para o relatório que enviou em março ao Parlamento com os "Factos e Documentos" sobre o que caso porque ali há respostas para várias das questões suscitadas.

Azeredo Lopes, invocando as secretárias-gerais dos sistemas de informações e de segurança interna, enfatizou que não está em causa a segurança dos cidadãos e repetiu que, até à divulgação das conclusões do Ministério Público, continua "sem ter a certeza" se ainda há material por recuperar ou se existiu uma falha de inventário.

Recorde-se que, no relatório que Azeredo Lopes enviou ao Parlamento, é dito expressamente que o Exército nunca colocou o número de militares definido para garantir a segurança daquele local desde que foi inaugurado nos anos 1990. E que, logo em 2000, a componente de vídeovigilância foi considerada desatualizada e obsoleta.

O documento regista vários alertas feitos por responsáveis intermédios do Exército para a situação de insegurança em que estavam os paióis e que, a dada altura, o então comandante da Região Militar Centro expressou reservas em assumir a responsabilidade sobre aquelas instalações porque a sua segurança não cabia a uma única entidade.

João Rebelo aproveitou para deixar críticas indiretas ao presidente do PSD, Rui Rio, quando comparou o furto de Tancos a um roubo de galinhas.

"No CDS não comparamos furtos de armamento militar a sketches humorísticos, não comparamos paióis a galinheiros nem comparamos armas a galinhas, mas também não confundimos a actuação do Governo e do Exército com órgãos de polícia criminal nem com o Ministério Público", sublinhou o deputado centrista, "nem muito menos respeito pelo segredo de justiça com a demissão de assunção de responsabilidades".

Para João Rebelo, "cabe seguramente às autoridades judiciais descobrir quem é que roubou as armas. Mas descobrir quem é que falhou nas medidas de seguranças e por que é que estas falharam cabe definitivamente ao Exército desvendar. E se o Exército resiste em fazê-lo, cabe ao ministro impor-lhes que o façam".

O Exército recusou até hoje divulgar os resultados das averiguações feitas na sequência do furto ocorrido a 28 de junho.