Governo: CDS considera demissão do ministro inevitável e tardia
Sexta, 12 Outubro 2018 18:14    Versão para impressão

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O CDS-PP considerou que a demissão do ministro da Defesa Nacional, na sequência do caso do furto de armas de Tancos, hoje anunciada, “era inevitável, é tardia e muito reveladora”.

“Porque, fomos os primeiros a dizê-lo, a desvalorização do que aconteceu em Tancos feita pelo ministro da Defesa tornou insustentável a sua permanência no Governo, pelo que representava em si, e por ter entrado em contradição com outros membros do Governo que consideravam grave o que tinha acontecido”, disse o vice-presidente da bancada centrista João Almeida, em declarações à agência Lusa.

Para o deputado centrista, a demissão também foi tardia porque “foi fragilizando não só a imagem do ministro”, mas “também o prestígio da Forças Armadas”, que arrastado “nesta longa agonia” de “entre um assalto [em 2017] que foi desvalorizado, que não se esclareceu” e depois teve “desenvolvimentos ainda mais surreais”.

E é também reveladora, nas palavras de João Almeida, porque ainda na quarta-feira o primeiro-ministro, António Costa, disse manter a confiança em Azeredo Lopes, em resposta a uma pergunta da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, no debate quinzenal no parlamento, que acusou de “quebrar um consenso relativo às Forças Armadas que existia há 40 anos”.

“Quem quebra esse tipo de consenso é quem, num dia, diz que há todas as condições para o ministro se manter em funções e cerca de 48 horas depois esse ministro acaba por se demitir, não por algo que aconteceu entretanto, mas na sequência de um processo que se vinha a arrastar há mais de um ano”, concluiu.

O CDS-PP já vinha a defender a demissão do titular da pasta da Defesa desde setembro de 2017 e a do chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, de quem dependem os paióis militares, desde 31 de julho passado, após uma audição na comissão parlamentar.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, demitiu-se hoje do Governo para evitar que as Forças Armadas sejam "desgastadas pelo ataque político" e pelas "acusações" de que disse estar a ser alvo por causa do processo de Tancos, segundo a carta enviada ao primeiro-ministro, António Costa, e a que a agência Lusa teve acesso.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições, tendo sido anunciada a sua recuperação em outubro, na Chamusca, distrito de Santarém.

A Polícia Judiciária deteve, em 25 de setembro, no âmbito da Operação Húbris, que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos, o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decretou prisão preventiva para o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para o civil.

No dia em foram conhecidas estas detenções, o CDS-PP anunciou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, que vai ser discutida na Assembleia da República em 24 de outubro e votada dois dias depois, tendo a sua aprovação garantida.

Actualizado em ( Segunda, 15 Outubro 2018 18:18 )