Senhor Primeiro-Ministro, o seu Governo é o Governo dos impostos máximos e dos serviços públicos mínimos!
Terça, 11 Dezembro 2018 15:59    Versão para impressão

assuncao cristas debate pm 3Senhor Primeiro-Ministro, depois de aprovado o seu último Orçamento do Estado e de conferirmos a realidade deste final de ano com o discurso do Governo, podemos dizer com propriedade que o Primeiro-Ministro é um contador de estórias.

É a estória da equidade e da igualdade, quando quem pode vai a outro sítio e quem não pode vê cirurgias adiadas no SNS, incluindo algumas situações oncológicas e pediátricas.

É a estória da paixão pelos serviços públicos, quando na realidade nunca estiveram tão mal, com verbas anunciadas e sistematicamente cativadas e há notícias que diariamente nos envergonham, como hoje a de polícias que têm de dormir no carro.

É a estória da prioridade ao investimento público, quanto na verdade fez o maior corte de sempre no investimento e hoje temos um país preso por arames, basta ver o caos no barco no Seixal esta manhã.

É a estória de ter virado a página à austeridade, quando temos a maior carga fiscal de sempre.

É a estória da paz social, quando temos hoje tantas ou mais greves do que no tempo da troika, com mais 47 anúncios de greve até ao fim do ano.

É a estória da equidade e da igualdade, quando na realidade está a criar um país mais desigual, com salários mínimos mais altos para a função pública do que para o setor privado.

É a estória da neutralidade fiscal do adicional ao imposto sobre combustíveis, quando na verdade gasóleo e gasolina estão muito mais caros para todos.

É a estória da boa execução dos fundos comunitários, quando na realidade a execução está bem abaixo do que aconteceu no quadro anterior.

Senhor Primeiro-Ministro, o seu Governo é o Governo dos impostos máximos e dos serviços públicos mínimos!  

E a sua estória do fim da austeridade não bate certo com a contestação crescente nas ruas.

Se está tudo tão bem, por que razão tantos e tantos se queixam? De repente são todos insensatos?

Dos professores aos médicos, dos guardas prisionais aos enfermeiros, dos polícias aos juízes, dos investigadores criminais aos trabalhadores dos transportes, dos técnicos de diagnóstico aos bombeiros?

O que se passa é que as expetativas criadas por si quando afirmou repetidamente que tinha acabado a austeridade estão hoje goradas. Todos se sentem enganados por si, pelo seu Governo. E porquê? Porque a todos prometeu o que porventura nunca teve a intenção de cumprir!

O CDS denunciou tudo isto desde a primeira hora, com uma oposição firme. Mas hoje é particularmente claro que a sua estratégia arriscada de querer enganar tudo e todos ao mesmo tempo passou o prazo de validade!

Senhor Primeiro-Ministro, ao contrário do Senhor, que vive num filme, fechado no seu país onde tudo vai bem, eu ando permanentemente em contato com o nosso país real há muito tempo. E este país real pede-me que lhe coloque algumas perguntas. Gostava que me respondesse com factos. Não com histórias ou rodeios, com factos.