CDS-PP defende SNS com novos modelos de gestão sem "preconceitos ideológicos"
Quarta, 19 Dezembro 2018 17:04    Versão para impressão

isabel galrica dpO CDS-PP voltou hoje a criticar a proposta do Governo de Lei de Bases da Saúde, considerando-a "claramente pior do que a anterior", e defendeu que o SNS deve ter novos modelos de gestão, sem "preconceitos ideológicos".

Estas posições foram assumidas pela deputada Isabel Galriça Neto, numa declaração política no parlamento, em Lisboa, em que sustentou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "está bem pior do que no tempo da 'troika'" e acusou o Governo de não fazer as contratações e o investimento necessários, de falta de negociação e de decisão.

"Temos um Governo que não negoceia, um Governo que não decide, um Governo que não governa. Será que temos um primeiro-ministro e um Governo em greve à governação? O SNS está muito doente, promove a iniquidade no acesso aos cuidados de saúde, é ineficaz e faz com que as famílias portuguesas gastem mais e mais do seu bolso", afirmou.

Isabel Galriça Neto, que é médica de cuidados continuados e paliativos no Hospital da Luz, rejeitou acusações dos partidos à esquerda de que o CDS-PP é contra o SNS desde a sua criação, e argumentou que "o SNS é de todos e uma conquista da democracia".

"O CDS encara-o como um desejável pilar da coesão social e continuará a defender - repito, continuará a defender - um serviço de saúde que garanta o acesso à saúde de todos os portugueses, um SNS que não seja refém de preconceitos ideológicos e que inclua novos modelos de gestão, mais eficientes e baseados em resultados", expôs.

Sem entrar em detalhes, a deputada do CDS-PP acrescentou que o seu partido quer "um SNS mais moderno e preparado para os desafios da inovação, do aumento das doenças crónicas, do envelhecimento, um SNS para o século XXI".

Isabel Galriça Neto reiterou que o CDS-PP "contribuirá, em devido tempo, com as suas propostas" para uma nova Lei de Bases da Saúde, considerando que "a versão mais recente" apresentada pela ministra Marta Temido "é omissa, pobre e claramente pior do que a anterior".

Segundo a deputada do CDS-PP, o Governo apresentou agora uma "versão minimalista, censurada e condensada" de Lei de Bases da Saúde, que constitui "mais um erro de governação".

A anterior versão foi um projeto elaborado por uma Comissão de Revisão presidida pela antiga ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, que faz parte do Conselho Consultivo da Luz Saúde, a pedido do ex-titular da pasta, Adalberto Campos Fernandes.

Para o CDS-PP, no entanto, "os graves problemas atuais do SNS não se resolvem no imediato com uma nova lei de bases", embora entendam que "ela é uma necessidade para a modernização do serviço de saúde português".

"A precipitação, a inflexibilidade e a demagogia em nada beneficiarão uma revisão que se quer ponderada e refletida", disse Isabel Galriça Neto.

Pelo PSD, José Alberto Silva subscreveu a crítica de que há falta de investimento no SNS, mas não se pronunciou sobre a Lei de Bases da Saúde.

Pela parte do PCP, do BE e do PEV, o debate em plenário suscitado por esta declaração política centrou-se no estado do SNS e nas políticas adotadas durante o tempo da 'troika' e pelo anterior Governo PSD/CDS-PP.

No que respeita às posições do CDS-PP em relação à saúde, Moisés Ferreira, do BE, atribuiu aos centristas um "desejo de colapso do SNS" e "preconceito ideológico" contra o setor público.

O deputado António Sales, do PS, recuou à origem do SNS, referindo que o CDS-PP votou contra a sua criação, em 1979, e depois votou a favor da Lei de Bases "que escancarou as portas aos grandes grupos privados", em 1990.

Isabel Galriça Neto contrapôs: "Nós relativamente à lei do SNS em 79 votámos contra uma versão que tinha determinados aspetos, porque apresentámos outra. As evoluções que se verificaram foram no sentido da lei que o CDS apresentou".

"O CDS teve razão antes do tempo. O CDS não está contra o SNS", declarou.