CDS questiona Ministra e contesta número de vagas para médicos recém-especialistas para a ULS da Guarda
Segunda, 07 Janeiro 2019 16:59    Versão para impressão

uls guarda copyOs deputados do CDS-PP João Rebelo e Ana Rita Bessa querem saber se a Ministra da Saúde considera suficiente o número de vagas abertas no recente procedimento concursal para médicos recém-especialistas, para a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda e se está em condições de garantir que a qualidade e acesso da população aos cuidados de saúde não está posta em causa.

Na pergunta, os deputados do CDS-PP querem também saber quando serão abertas vagas para a ULS da Guarda para as especialidades de Anestesiologia, Anatomia Patológica, Gastrenterologia, Medicina Interna, Neurologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Patologia Clínica, Pneumologia, Psiquiatria e Radiologia e se a Ministra não considera que a decisão de atribuir à ULS da Guarda apenas seis das 57 vagas abertas para a Região Centro contraria a propalada aposta deste Governo no combate à interioridade e à desertificação do interior.

No mais recente procedimento concursal para médicos recém-especialistas, das 57 vagas para a Região Centro apenas seis são atribuídas à Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, nomeadamente em Cardiologia, Cirurgia Geral, Ginecologia/Obstetrícia, Ortopedia, Pediatria e Saúde Pública.

O CDS-PP já por várias vezes alertou e questionou a tutela sobre as carências existentes no Hospital Sousa Martins – que são, aliás, do conhecimento público – ao nível de especialidades médicas e do quadro de pessoal de enfermagem.

As vagas agora abertas, além de não serem suficientes para cobrir as necessidades em Cardiologia, Ortopedia e Cirurgia Geral, deixam de fora outras especialidades deficitárias, como é o caso de Anestesiologia, Anatomia Patológica, Gastrenterologia, Medicina Interna, Neurologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Patologia Clínica, Pneumologia, Psiquiatria e Radiologia, e impedem que os médicos que terminaram a sua especialidade em Medicina Interna e Psiquiatria na ULS da Guarda continuem no Hospital Sousa Martins, mesmo que assim o desejem.

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos manifestou já, em comunicado, a sua preocupação e considerou ser «incompreensível o atual mapa de vagas para o Hospital Sousa Martins, na Guarda, pois estamos perante áreas hospitalares já bastante penalizadas nesta região do interior», que «enfrentam dificuldades com especial complexidade, pelo que é urgente autorizar a contratação de médicos para estas áreas carenciadas».

O comunicado da SRCOM refere mesmo que «a grave carência de recursos humanos no Hospital Sousa Martins pode, a curto prazo, colocar em causa a qualidade dos serviços de saúde prestados, bem como a resposta nalgumas valências fundamentais».

Face a este desinteresse do Governo pela saúde no distrito da Guarda, acentuado pela recente suborçamentação da ULS no Orçamento do Estado para 2019, o CDS-PP manifesta a sua preocupação sobre o futuro do Hospital Sousa Martins, temendo que esteja em causa o acesso da população a cuidados de saúde. O esvaziamento do Hospital Sousa Martins, e eventual colapso desta unidade hospitalar, seria uma fortíssima machadada numa das regiões do interior mais penalizadas.

O CDS-PP considera que esta situação é grave, sendo por isso fundamental obter esclarecimentos urgentes por parte da Senhora Ministra da Saúde.