CDS quer ouvir Ricardo Vicente e Capoulas Santos sobre Mata Nacional de Leiria e Observatório do Pinhal do Rei
Sexta, 21 Junho 2019 11:12    Versão para impressão

mata nacional de leiriaO Grupo Parlamentar do CDS-PP quer ouvir com urgência, no Parlamento, Ricardo Vicente e o Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, a fim de poderem prestar todos os esclarecimentos sobre a situação da Mata Nacional de Leiria e o Observatório do Pinhal do Rei. O Requerimento assinado pelos deputados Patrícia Fonseca, Ilda Araújo Novo e Hélder Amaral deu hoje entrada na Comissão de Agricultura e Mar.

Fomos confrontados nos últimos dias com a notícia da demissão de Ricardo Vicente, membro especialista do Observatório do Pinhal do Rei (OPR), criticando a falta de coordenação e a ausência de vontade política para assegurar o seu funcionamento.

Na carta de demissão, tornada pública pelo próprio, Ricardo Vicente critica que o OPR não reúna desde dezembro do ano passado, contrariando assim o Despacho 4263/2018 de 4 de abril de 2018 que determina a realização de reuniões mensais.

«Considero que este Observatório foi criado com os melhores objetivos: acompanhar os trabalhos a realizar para a recuperação da Mata Nacional de Leiria, contribuir para o seu planeamento e proceder à divulgação regular dos resultados dos trabalhos efetuados. No entanto, apesar de termos produzido um Parecer muito relevante sobre o Relatório da Comissão Científica (documento de extrema importância), considero que o Observatório não está a responder às suas principais responsabilidades. Ao nível da sua coordenação e, também, ao nível do ICNF, não há vontade política para que esta instituição responda aos seus compromissos, que estão espelhados no despacho da sua criação.», lê-se na exposição.

Ricardo Vicente acrescenta ainda que «no n.º 7 do respetivo Despacho prevê-se que esta instituição reúna com uma periodicidade mensal, mas a última reunião do Observatório foi a 11 dezembro de 2018, para finalização do Parecer emitido. Há meio ano que não reunimos e já estamos em período de risco de incêndio.».

A 5 de abril p.p., o especialista propôs que fosse convocada nova reunião do Observatório, por não considerar «admissível, que vários meses depois do envio do Parecer ao ICNF, os membros do Observatório não tenham tido qualquer feedback. Ainda hoje não o tivemos. […] Passados mais de dois meses, nem a minha proposta de marcação de reunião, nem as restantes sugestões que realizei por escrito obtiveram resposta da coordenação do Observatório.»

Em outubro de 2017, quase 90% do Pinhal de Leiria foi consumido pelas chamas.

Ricardo Vicente afirma que nem nos 10% que não arderam, «o Estado conseguiu garantir, através do Ministério da Agricultura, uma intervenção decente», e que «na zona do pinhal que ardeu há uma progressão das plantas invasoras que dentro de alguns anos estarão prontas a arder num novo ciclo de fogo.».

O CDS-PP considera que este é um assunto de extrema gravidade e, face a estas revelações entende ser urgente e imprescindível obter todos os esclarecimentos.

 

Foto: DR

Actualizado em ( Sexta, 21 Junho 2019 11:15 )