PIB mostra necessidade de plano de retoma e "atenção às exportações"
Sexta, 15 Maio 2020 00:00    Versão para impressão

cecilia meireles autarcas cdsO CDS-PP considerou hoje que a descida de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) português no primeiro trimestre do ano, devido à pandemia, realça a necessidade de dar "especial atenção às exportações" e de um plano para a retoma.

Em declarações à agência Lusa, a deputada Cecília Meireles disse que olha para esta queda "com preocupação".

"Nós estamos a falar ainda de dados do primeiro trimestre, portanto, de um momento em que a pandemia ainda se estava a fazer sentir de forma muito mitigada, mas realmente os dados já mostram bem o congelamento da economia", assinalou.

O PIB português caiu 2,4% no primeiro trimestre do ano face ao mesmo período de 2019, devido aos efeitos económicos da pandemia de covid-19, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

"O Produto Interno Bruto (PIB), em termos homólogos, diminuiu 2,4% em volume no 1.º trimestre de 2020, após o aumento de 2,2% no trimestre anterior. A contração da atividade económica reflete o impacto da pandemia covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre", pode ler-se numa estimativa rápida hoje divulgada pelo INE.

Já relativamente ao último trimestre de 2019, a recessão foi de 3,9%, depois de um aumento de 0,7% em cadeia face ao terceiro trimestre de 2019.

Para responder a esta situação, o CDS defende "concentração na retoma" e "especial atenção às exportações".

"Eu acho que é fundamental que Portugal comece já a preparar um plano de retoma agora na reabertura na economia", assinalou Cecília Meireles, exemplificando que entre as medidas poderiam incluir-se a prorrogação de pagamentos de impostos, que "podiam já estar em marcha", ou a "aceleração do reembolso do IRS".

Para a centrista, é "muito preocupante" que "Portugal seja o único país da Europa que discute um Programa de Estabilidade e um Programa Nacional de Reformas [debate que decorreu esta semana na Assembleia da República] sem projeções macroeconómicas e sem planeamento financeiro".

"Nós temos já que começar a olhar para o futuro, o presente só vai correr bem se as empresas souberem com aquilo que contam e souberem o que é que o país está a planear fazer no que toca à retoma", salientou a deputada.

Por isso, defendeu, "este não é um assunto para deixar para amanhã, devia ser feito já hoje".

"E enfim, acho que o que se passou com o ministro das Finanças já foi lamentável que chegue", criticou a democrata-cristã.

No que toca às exportações, Cecília Meireles pediu uma "atenção especial porque são um motor importante da economia", e os dados conhecidos hoje mostram que foram "muito mais afetadas do que a procura interna".

"E os seguros de crédito, que muito importantes, estão parados", criticou a deputada do CDS, apontando que "o parlamento já aprovou um aumento do 'plafond' para seguros de crédito".

Portanto, "é preciso que o Governo aja", reforçou.

"É evidente que os recursos de Portugal são limitados, mas controlamos o fator tempo, e as ajudas que o Governo estabeleceu não chegaram depressa", vincou Cecília Meireles.

Portugal contabiliza 1.190 mortos associados à covid-19 em 28.583 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais seis mortos (+0,5%) e mais 264 casos de infeção (+0,9%).