CDS questiona tutela sobre quantidade massiva de Azola no rio Ponsul
Segunda, 04 Maio 2020 16:44    Versão para impressão

rio ponsul azolaNuma pergunta dirigida ao Ministro do Ambiente e Ação Climática, o deputado do CDS-PP João Gonçalves Pereira quer saber que medidas estão a ser tomadas para resolver a presença anormal, numa extensão de dezenas de quilómetros, de uma quantidade massiva de Azola no rio Ponsul.

João Gonçalves Pereira quer confirmação da denúncia da Quercus junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Serviço Especial de Proteção da Natureza da GNR (SEPNA), e da consequente investigação conjunta dos dois organismos no sentido de apurar as origens deste fenómeno mais recente, e questiona quais as conclusões que já foram retiradas dessa investigação e com que consequências.

Depois, e como resultado da monitorização da albufeira de Cedillo e do rio Ponsul, e da realização de ações de fiscalização no sentido de identificar eventuais descargas indevidas, o deputado do CDS-PP questiona quantas já foram identificadas pela APA e com que consequências.

João Gonçalves Pereira quer ainda saber, e dado o estado a que o rio Ponsul chegou, para quando estão previstas as ações de reabilitação da galeria ribeirinha, e nomeadamente da remoção mecânica da Azola, referidas no comunicado da APA, quais os resultados obtidos do contacto com a Confederação Hidrográfica do Tejo em Espanha e se já foram implementadas as necessárias medidas de controlo, ou se não, quando serão.

Chegaram ao Grupo Parlamentar do CDS-PP várias denúncias sobre o estado do troço internacional do rio Tejo e, nomeadamente, e os seus afluentes ribeira do Aravil e rio Ponsul. Em fotos enviadas ao GP CDS-PP pode ver-se a presença anormal – numa extensão de dezenas de quilómetros – de uma quantidade massiva de Azola (Azolla filiculoides) no rio Ponsul.

Isto mesmo foi reportado nos últimos dias por vários órgãos de comunicação social, nacional e regional, e pela Quercus – que «alertou de imediato as autoridades competentes, nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Serviço Especial de Proteção da Natureza da GNR (SEPNA), que já estarão a investigar as origens deste fenómeno» –, originando um esclarecimento por parte da APA.

 No texto explica-se que a APA, através da ARHTO- Administração da Região Hidrográfica do Tejo Oeste, «tem vindo a monitorizar a albufeira de Cedillo (6 vezes por ano) e o rio Ponsul (trimestralmente desde 2014 e mensalmente desde abril de 2019) e a realizar ações de fiscalização no sentido de identificar eventuais descargas indevidas. Tem previstas ações de reabilitação da galeria ribeirinha no rio Ponsul, no sentido de reduzir o input de nutrientes para o curso de água».

 A APA dá ainda conta de que «foram efetuadas recolhas de amostras de Azola para verificação do seu estado evolutivo de maturação (ciclo vegetativo)» e que «ponderará, se necessária, uma intervenção para remoção mecânica destas plantas aquáticas».

 No quadro da monitorização, a APA refere que «o aparecimento agora registado na albufeira de Cedilho, desencadeou contacto com a Confederação Hidrográfica do Tejo em Espanha, dando nota da importância da implementação de medidas de controlo, disponibilizando-se a APA/ARHTO para colaboração nas ações a implementar».

 A Azola é uma espécie de planta aquática exótica invasora, que prolifera quando as massas de água se encontram estagnadas e poluídas por fosfatos e nitratos, formando tapetes densos de vegetação à superfície.

 Este fenómeno, cada vez mais recorrente no troço do rio Ponsul entre a Senhora da Graça (junto a Idanha-a-Nova) e a albufeira de Cedillo (Espanha), provoca a diminuição da entrada de luz na água e faz baixar o nível de oxigénio dissolvido, levando à mortes das espécies, à eutrofização dos rios e a uma acentuada degradação da qualidade da água, neste caso do Tejo, um rio já de si martirizado pela poluição.

Depois de removida, a Azola pode ser usada pela agricultura como biofertilizante e pode também ser integrado nas rações para animais devido à sua riqueza em proteínas.