25 de Abril: O poder político permite para si próprio o que proibiu aos portugueses
Sábado, 25 Abril 2020 00:00    Versão para impressão
telmo correia 25 abril 2020Leia na íntegra a intervenção do líder parlamentar Telmo Correia na Sessão Solene Comemorativa do 46.º Aniversário do 25 de Abril de 1974:
 
 

Senhor Presidente da República,

Senhor Presidente da Assembleia da República,

Senhor Primeiro-ministro e Senhores Membros do Governo,

Senhor ex-Presidente da República,

Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa,

Ilustres Convidados,

Senhoras e Senhores Deputados,

Começo por recordar que o CDS não só discordou desta cerimónia em tempo de pandemia e em estado de emergência, como propôs uma alternativa viável e responsável para uma evocação que consideramos fundamental, por representar a Liberdade. Isso nunca esteve em causa.

Olho para esta sala e verifico até que os partidos que a impuseram a foram reduzindo e espaçando, em número de deputados e convidados. Afinal, ao contrário do que disseram, a questão nunca foi ideológica. Quanto muito, era de lógica.

E não usarei sequer a Liberdade, que devo ao 25 de Abril, para responder ao muito que ouvimos, por termos esta posição. Isso qualifica sobretudo quem o proferiu.

E não ofende quem quer.

O CDS é um dos quatro partidos históricos da nossa democracia e a voz representativa da Democracia Cristã, neste Hemiciclo, desde as primeiras eleições livres. Não aceitamos lições de Democracia de ninguém.

Com esta cerimónia, em Estado de Emergência, o que o poder político está a dizer é que permite para si mesmo, aquilo que proibiu aos portugueses. E que não respeita para si próprio o que exigiu ao povo – isolamento e confinamento.

Enquanto aqui celebramos, os portugueses não se podem juntar para celebrar nada, nem o seu próprio aniversário.

Enquanto aqui celebramos, os nossos idosos estão isolados e as crianças deixaram de poder ver os seus amigos.

Muitas são as famílias que não puderam, sequer, despedir-se dos seus mortos.

Milhares perderam o seu emprego e inúmeras empresas foram obrigadas a fechar.

Muitos não poderão estar com as suas mães no próximo dia 3 de Maio ou celebrar a sua fé no próximo dia 13.

Em Democracia não há datas prescindíveis e outras imprescindíveis por imposição da maioria. No país, esta celebração dividiu os portugueses quando o momento é de união.

Todo o país deve respeito a este Parlamento, mas o Parlamento também deve respeitar os portugueses.

Hoje, 25 de Abril de 2020, a nossa liberdade coletiva é defendida por todos os que, na primeira linha, estão a salvar vidas, mas também por todos aqueles que, respeitando o que o poder político determinou, estão confinados, abdicando da sua liberdade individual.

Por isso, este é um mau exemplo.

Ainda assim, estamos aqui mandatados para, coerentemente, lavrar o nosso protesto democrático, não deixando de cumprir o nosso dever.

Viva a Democracia. Viva Portugal.

 

Palácio de S. Bento, 25 de Abril de 2020

 

 

 

Actualizado em ( Domingo, 24 Maio 2020 17:08 )