CDS questiona ministra da Saúde sobre cirurgias ortopédicas urgentes no Hospital de Abrantes
Sexta, 31 Julho 2020 00:00    Versão para impressão

ana rita 2020 05

Numa pergunta dirigida à ministra da Saúde, a deputada do CDS Ana Rita Bessa quer saber qual a justificação para que, no hospital de Abrantes, estejam doentes a aguardar em macas durante duas semanas cirurgias ortopédicas urgentes, e se a ministra entende que esta é a forma adequada de prestação de cuidados de saúde de qualidade a que o SNS está obrigado.

Ana Rita Bessa quer ainda saber se, estando no final de Julho, a ministra assegura que, conforme terá afirmado o conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo,  durante o mês de Agosto a situação já estará normalizada.

Segundo notícias vindas a público, o hospital de Abrantes terá doentes a aguardar cirurgias ortopédicas urgentes há duas semanas “(...) instalados em macas, porque a enfermaria não tem vagas”. Alegadamente, “alguns dos doentes que estão à espera de cirurgia são idosos e sofreram fraturas que necessitam de cirurgia rápida estando instalados em condições desconfortáveis”. Mais ainda, não haverá “(...) condições no serviço de urgência de ortopedia, no sétimo piso do hospital de Abrantes, onde algumas pessoas já estiveram quinze dias numa maca porque as camas foram retiradas para doentes com Covid-19”.

De acordo com as mesmas notícias, o conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo terá reconhecido o problema e ter-se-á justificado com o facto de, em consequência da pandemia de Covid-19, o serviço de ortopedia ter sido mudado de Abrantes para Tomar o que “trouxe alguns constrangimentos que têm sido superados com o esforço e dedicação dos profissionais de saúde”, e com o facto destes tempos de espera também se relacionarem “com a necessidade de alguns desses doentes, sobretudo os mais idosos, interromperem medicação, situação que pode prolongar-se até 10 dias”.

O conselho de administração terá garantido, no entanto, estar a trabalhar para que o serviço de ortopedia regresse ao hospital de Abrantes com um aumento do número de camas e que espera ter a situação normalizada em Agosto.

Apesar desta justificação apresentada, o Grupo Parlamentar do CDS-PP não considera ser possível a tranquilidade com a qualidade assistencial dos cuidados de saúde que estão a ser prestados a estes doentes.

Se, por um lado, compreendemos que em consequência da pandemia houve a necessidade de reorganizar serviços e camas nos hospitais, por outro lado, entendemos que essa reorganização teria necessariamente de ser feita sem colocar em causa a qualidade dos cuidados prestados. E, a nosso ver, deixar doentes duas semanas em macas a aguardar cirurgias que foram “classificadas” como urgentes não parece ser a forma mais adequada de reorganizar os serviços de saúde.

Relembramos que os doentes não Covid não podem ser esquecidos ou secundarizados e que o seu acesso à prestação de cuidados de saúde de qualidade e em tempo clinicamente útil continua a ser um direito que lhes assiste e uma obrigação do Estado.

Neste sentido, entendemos ser da maior pertinência obter esclarecimentos da Senhora Ministra da Saúde.

Actualizado em ( Segunda, 03 Agosto 2020 14:35 )