CDS quer saber se é verdade que a IP tem falhado na desmatação preventiva junto às vias férreas
Sábado, 15 Agosto 2020 20:12    Versão para impressão

joao goncalves pereira publico

O deputado do CDS João Gonçalves Pereira questionou o Ministro das Infraestruturas e Habitação, no sentido de saber se este confirma a existência e consequente comunicação à Infraestruturas de Portugal (IP) de danos em material circulante causados por árvores ou vegetação, e se sim, quais as linhas em que isto mais se verifica e com que periodicidade.

João Gonçalves Pereira questiona depois se o ministro considera, ou não, que este tipo de ocorrências representa risco para a circulação dos comboios, quer impedindo a visibilidade ao maquinista quer danificando o material circulante, e se considera, ou não, que, nos casos mais problemáticos, existe o perigo de acidente em caso de queda de árvores e ramos de grande porte na via férrea.

O deputado do CDS continua perguntando, exceção feita aos sobreiros, no Alentejo, que medidas concretas têm sido tomadas pela IP, não como correção de episódios pontuais, mas como impedimento de ocorrências futuras e/ou de agravamento da invasão da ferrovia por vegetação e se é verdade que a IP tem falhado na desmatação preventiva junto às vias férreas.

João Gonçalves Pereira quer ainda saber se a Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária (ANSF) realizou em julho, como tinha previsto, ações de supervisão a um troço da linha da Beira Alta e de acompanhamento na linha do Oeste, relacionadas com a vegetação junto à linha férrea, e com que resultados, e se, face a estas ações – caso tenham sido realizadas –, pondera a ANSF propor medidas regulamentares ou corretivas.

O jornal Público revelou esta semana, numa reportagem, que a invasão da linha férrea nacional por extensa vegetação representa risco para a circulação dos comboios, e não só: «impede a visibilidade ao maquinista, danifica o material circulante (nomeadamente espelhos retrovisores) e potencia a propagação de incêndios, impedindo que a própria via férrea constitua só por si um corta-fogo.»

Por outro lado, «quando chove, os ramos ficam mais pesados e ‘chicoteiam’ o material circulante à sua passagem. E quando faz muito vento, há árvores que acabam por tombar sobre a via.», sendo que a linha do Oeste, sobretudo entre Louriçal e Leiria, bem como alguns troços do Minho e do Douro serão algumas das zonas mais problemáticas.

Entre os exemplos mais recentes referidos no texto, recorda-se a queda de uma árvore a 29 de julho em Porto Rei (concelho de Mesão Frio), que causou um atraso entre 30 e 60 minutos em quatro comboios da linha de Douro, à saída da Régua e de Pocinho.

Também uma semana antes, em Vale do Peso (Crato), uma locomotiva de um comboio de mercadorias ficou sem espelho retrovisor ao embater contra o ramo de um sobreiro. Aliás, no Alentejo o canal ferroviário está abundantemente invadido por vegetação, mas é também um problema difícil de resolver, uma vez que a maioria das árvores são sobreiros, que não se podem podar por serem espécie protegida.

Já na linha do Oeste, dá-se conta de que no último mês foi reportada a quebra de seis espelhos em máquinas da operadora ferroviária de mercadorias, Medway. Isto, apesar de a Infraestruturas de Portugal (IP) afirmar que «não recebeu qualquer reclamação dos operadores ferroviários na sequência de danos no material circulante causados por árvores ou vegetação», contrariando a Medway, o Sindicato dos Maquinistas e a própria CP – Comboios de Portugal, que diz que «todas as situações relacionadas com a segurança de circulação ao nível da infraestrutura, nomeadamente, a existência de vegetação junto à linha férrea, com potencial de causar danos no material circulante ferroviário, são prontamente comunicadas ao Gestor da Infraestrutura».

Ainda de acordo com dados referidos pelo Público, e exceção feita ao caso já referido do Alentejo, a IP tem «falhado na desmatação preventiva junto às vias férreas (embora seja relativamente célere a intervir para resolver problemas pontuais).», mas acima dos operadores e da IP está a Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária / Instituto da Mobilidade e dos Transportes que admitiu ao jornal que «já tinha previsto realizar [em julho] uma ação de supervisão a um troço da linha da Beira Alta para verificar alguns aspetos relacionados com a vegetação junto à linha férrea e que incluiu também outro acompanhamento à linha do Oeste.», e que «das ações a realizar poderão resultar medidas regulamentares ou corretivas a propor.»

 

Foto: © DR/Público

Actualizado em ( Segunda, 17 Agosto 2020 20:24 )