CDS questiona tutela sobre corte de pinheiros na Tocha e na Serra da Lousã
Sexta, 21 Agosto 2020 11:40    Versão para impressão

arvores-abateOs deputados do CDS João Gonçalves Pereira e Cecília Meireles questionaram o ministro do Ambiente e Ação Climática sobre cortes de pinheiros na Tocha e na Serra da Lousã.

Em relação ao corte no parque de merendas das Berlengas, na Tocha, junto à pista de ciclismo, os deputados confirmação de que os pinheiros estavam saudáveis e foram cortados por ordem do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Questionam depois se a tutela confirma que havia um pedido, da parte da Câmara Municipal de Cantanhede e da Junta de Freguesia da Tocha, mas para corte de pinheiros queimados e em risco de cair para a pista de cicloturismo e pedonal.

João Gonçalves Pereira e Cecília Meireles querem saber se houve da parte do ICNF alguma visita ao terreno e consequente identificação das árvores a cortar, e e não, como foi feita a seleção, e se o ICNF avisou a autarquia de que o corte das árvores iria ser feito, e se não, qual o motivo.

Por fim, questionam quem assumirá agora a responsabilidade pelo corte, alegadamente indevido, de árvores saudáveis.

Quanto ao corte de pinheiros no centro da Serra da Lousã, em área da Rede Natura 2000, os deputados querem saber se o ministro tinha conhecimento e se foi pedida autorização ao ICNF para a realização deste corte, e se sim, porque não foi o mesmo comunicado à autarquia.

Questionam também que medidas foram tomadas pelo Ministério face às denúncias da Câmara Municipal da Lousã, ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA/GNR), ao ICNF e à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), relativas à circulação de veículos pesados nas estradas da serra sem a respetiva autorização, e, por fim, querem saber se têm fundamento as preocupações da Associação de Recuperação do Talasnal (A.R.T.) quanto à exposição ao perigo de parte do habitat de veados, corsos e javalis, bem como uma eventual erosão mais acelerada daquela vertente da serra e a provável invasão dos terrenos por acácias, e se sim, que medidas pondera a tutela tomar para evitar que tal aconteça.

Foram esta semana reportados, através de duas notícias, uma no Diário de Coimbra e outra no Diário As Beiras, os cortes de pinheiros na Tocha e na Serra da Lousã.

Na Tocha, o corte das árvores realizou-se no parque de merendas das Berlengas, junto à pista de ciclismo. De acordo com o Presidente da Junta de Freguesia da Tocha, citado na notícia, foi chamada a GNR para identificar os madeireiros, tendo sido dito às autoridades que cumpriam ordens do ICNF.

A revolta do autarca prende-se com o facto de o ICNF ter mandado cortar pinheiros bons, «pinheiros verdes, com o argumento que iam secar, mas deixaram ficar os pinheiros queimados e secos, que ali ficaram desde os incêndios de outubro de 2017».

Tanto assim, que refere que a Câmara Municipal de Cantanhede e a Junta de Freguesia da Tocha tinham solicitado ao ICNF o corte dos pinheiros queimados e em risco de cair para a pista de cicloturismo e pedonal.

O autarca lamenta ainda que se tenham cortado muitos pinheiros, não sabendo ao certo quantos.

Quanto ao corte na Serra da Lousã, de pinheiros e eventualmente outras espécies florestais, foi denunciado pela A.R.T., uma das Aldeias do Xisto do concelho da Lousã.

Os cortes estarão a ser realizados a mando de uma empresa proprietária de cerca de 40 hectares de terrenos situados no meio da Serra da Lousã e está a preocupar residentes e proprietários de alojamento local.

Citado na notícia, o madeireiro assegurou que o desbaste inclui apenas pinheiros afetados pelo nemátodo e uma faixa de proteção à aldeia do Vaqueirinho, mas a A.R.T. optou por manter o alerta e pondera mesmo uma providência cautelar para travar os trabalhos.

O corte está a ser feito numa área da Rede Natura 2000, que conserva o maior soito de castanheiros da Serra da Lousã e que nunca ardeu. Entre as preocupações manifestadas pela A.R.T., está o perigo de destruição de parte do habitat de veados, corsos e javalis, bem como uma eventual erosão mais acelerada daquela vertente da serra e a provável invasão dos terrenos por acácias.

A notícia refere ainda que a situação foi reportada ao SEPNA/GNR, que já foi ao local, e que a própria Câmara Municipal da Lousã confirmou a circulação de veículos pesados nas estradas da serra sem a respetiva autorização, o que também terá sido reportado ao SEPNA, ao ICNF e à IGAMAOT.