CDS quer saber quanto poderá o desporto adaptado retomar a sua prática em todas as modalidades
Quinta, 27 Agosto 2020 11:42    Versão para impressão

paralimpicoOs deputados do CDS João Pinho de Almeida e Ana Rita Bessa questionaram os ministros da Saúde e Educação, querendo saber se a Direção-Geral da Saúde e a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto estão a trabalhar nas orientações para a retoma da prática do desporto adaptado, se o Comité Paralímpico de Portugal e/ou as federações vão ser consultados e acompanhar a sua elaboração e quando poderá o desporto adaptado retomar a sua prática em todas as suas modalidades.

A Orientação 036/2020, de 25 de agosto, emitida pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para a prática do ‘Desporto e Competições Desportivas’ motivou várias reações de descontentamento por parte de federações desportivas, levando mesmo a Confederação do Desporto de Portugal (CDP) a solicitar com caracter de urgência uma audiência com a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto (SEJD).

Também o Comité Paralímpico de Portugal (CPP) lamentou que as normas não respondam às necessidades e ignorem o desporto para pessoas com deficiência, a maioria das quais estão em grupos de risco.

Efetivamente, o documento de Orientação 036/2020, de 25 de agosto, não faz qualquer menção ao desporto adaptado.

Em qualquer uma das listas de modalidades especificadas no documento – divididas entre ‘Alto Risco’ e ‘Médio Risco’ – e entre as várias federações mencionadas, não há qualquer referência à Federação Portuguesa para Pessoas com Deficiência que inclui modalidades como o boccia, o goalball ou o râguebi em cadeira de rodas, assim como não existe nada que especificamente mencione modalidades que estão sob alçada de outras federações.

Além de o recrutamento de atletas não ser fácil no desporto adaptado, em que a maioria das associações é mantida por gente em regime de voluntariado, a prática das diversas modalidades é, naturalmente, diferente do desporto praticado por pessoas sem deficiência.

Também, e independentemente de todos os benefícios que a prática de desporto traz à saúde de todos, no caso das pessoas com deficiência representa ainda um peso considerável em termos de inclusão social, quer pela perceção que desperta na sociedade em geral em relação à deficiência, quer pela possibilidade de dar aos atletas adaptados uma maior independência no seu dia a dia.

O CDS considera, por tudo isto, fundamental que a DGS estipule – de preferência em conjunto com o CPP – as orientações necessárias à retoma da prática do desporto adaptado e entende ser urgente obter esclarecimentos da parte do Governo.

 

Foto: DR